“Avô Rico, pai nobre, filho pobre” é um provérbio popularizado pelo livro “De geração para geração: ciclos de vida das empresas familiares”, de autoria de Kelin E. Gersick, Marion McCollom Hampton, Ivan Lansberg e John A. Davis., que cada vez mais vem se afastando da realidade das empresas familiares brasileiras, face à constante busca por um planejamento.
Inegável, que ao longo da jornada familiar, a estrutura empresarial se altera, tanto no âmbito da família, quanto da propriedade, interferindo diretamente no grau de maturidade da gestão. A propriedade da terra transfere-se de um casal para os filhos, formando uma sociedade de irmãos e, as vezes, até um consórcio de primos, em uma próxima geração. No amago da família, por sua vez, desloca-se a tomada de decisão outrora centralizada nos pais para reunir as expectativas acumuladas por irmãos, sobrinhos e primos.
Dessa forma, hoje, a sucessão, no contexto do Agronegócio, prescinde de um planejamento estratégico e econômico, não mais se apresentando apenas como um tema estritamente familiar, apesar de ainda prevalecer a ideia de pertencimento à terra e de legado familiar.
Perceba-se, dessa forma, que o Agro, além dos desafios financeiros, regionais, climáticos, precisa superar as barreiras da gestão familiar, estabelecendo um sistema concatenado de governança corporativa, para evitar as dificuldades intergeracionais.
Apenas a título de exemplo, sugere-se que a estrutura empresária rural precisa centralizar o patrimônio empresarial em uma pessoa jurídica, não mais operando na pessoa física do produtor rural, evitando, dessa forma, a sobreposição entre o patrimônio empresarial e pessoal.
Além disso, o Agro ainda mantém certa resistência na implementação de políticas de governança familiar, até mesmo em pequenas propriedades, para evitar tanto os conflitos sucessórios como a fragmentação da propriedade diante de um inventário e partilha, barreira essa que precisa ser fortemente transposta para que se preserve a função social da empresa e da terra.
Dessa forma, o planejamento patrimonial no contexto do Agronegócio tem significativa eficácia, já que, além de evitar longos conflitos sucessórios, que decerto impactarão na operação e competitividade dos negócios e dos laços familiares, apresenta-se como mecanismo de governança familiar, valendo-se de instrumentos como o protocolo familiar e o acordo de sócios, para preservar a continuidade da atividade econômica.
